Renda Fixa: Entenda de Uma Vez a Diferença Entre Pré, Pós e Inflação
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Jota Sousa
1/18/202610 min read


Renda Fixa: Entenda de Uma Vez a Diferença Entre Pré, Pós e Inflação
Você já se deparou com ofertas de investimento como "CDB 120% do CDI", "Tesouro Prefixado 12% ao ano" ou "LCA IPCA + 6%" e não fez ideia de qual escolher? Se sim, você não está sozinho. Esses termos confundem até investidores experientes às vezes.
A verdade é que entender a diferença entre renda fixa prefixada, pós-fixada e atrelada à inflação é fundamental para fazer boas escolhas de investimento. E a boa notícia? É muito mais simples do que parece.
Neste artigo, vou te explicar de forma clara e prática como funciona cada tipo de renda fixa, quando usar cada um e como escolher o melhor para seus objetivos. No final, você vai saber exatamente o que significam aquelas siglas e porcentagens, e vai investir com muito mais confiança. Vamos descomplicar juntos!
O Que É Renda Fixa Afinal?
Antes de entrar nos tipos específicos, vamos entender o conceito básico. Renda fixa é quando você empresta seu dinheiro para alguém (governo, bancos ou empresas) e recebe de volta o valor emprestado mais juros.
É chamado de "fixa" não porque o valor é fixo, mas porque as regras de remuneração são definidas no momento da aplicação. Você sabe desde o início como seu dinheiro vai render - diferente da renda variável (ações, fundos imobiliários) onde você não sabe quanto vai ganhar ou perder.
Os principais tipos de renda fixa no Brasil são:
Tesouro Direto: Você empresta para o governo federal
CDB: Você empresta para bancos
LCI e LCA: Empréstimos para bancos com garantia imobiliária ou agrícola (isentos de IR)
Debêntures: Você empresta para empresas
CRI e CRA: Títulos imobiliários e agrícolas
E todos esses podem ser prefixados, pós-fixados ou atrelados à inflação. Vamos entender cada um!
Renda Fixa Prefixada: Você Sabe Exatamente Quanto Vai Ganhar
Investimentos prefixados são os mais simples de entender. A taxa de retorno é definida no momento da aplicação e não muda até o vencimento.
Como funciona: Você investe R$ 10.000 em um CDB prefixado que paga 12% ao ano por 2 anos. No vencimento, você receberá exatamente R$ 12.544 (descontando IR). Simples assim.
Exemplos de investimentos prefixados:
Tesouro Prefixado (LTN)
CDB Prefixado a 13% ao ano
LCI Prefixada a 10,5% ao ano
Debêntures com taxa fixa
A grande vantagem: Você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento. Isso traz previsibilidade total para o seu planejamento financeiro. Se você precisa de R$ 50.000 daqui a 3 anos, consegue calcular exatamente quanto precisa investir hoje.
A grande desvantagem: Se os juros subirem depois que você investiu, você fica travado na taxa mais baixa. E se você precisar resgatar antes do vencimento, pode ter prejuízo por causa da marcação a mercado (explico melhor depois).
Quando usar prefixado:
Quando você acredita que os juros vão cair
Quando tem um objetivo com prazo definido (casamento, viagem, entrada de imóvel)
Quando quer previsibilidade total
Quando os juros estão historicamente altos (acima de 12% ao ano)
Exemplo prático: João investiu R$ 20.000 no Tesouro Prefixado 2029 quando a taxa estava em 13% ao ano. Ele sabe que em 2029 receberá aproximadamente R$ 38.000. Não importa se a Selic cair para 8% ou subir para 15% - João está garantido em 13%.
Renda Fixa Pós-Fixada: Acompanha os Juros da Economia
Investimentos pós-fixados têm rentabilidade atrelada a um indicador que varia ao longo do tempo. No Brasil, os principais indicadores são a Taxa Selic e o CDI (Certificado de Depósito Interbancário).
Como funciona: Você investe R$ 10.000 em um CDB que paga 110% do CDI. Se o CDI médio for 10% ao ano, você receberá 11% ao ano (110% de 10%). Se o CDI subir para 12%, você também ganha mais. Se cair para 8%, você ganha menos.
Principais indicadores pós-fixados:
CDI (Certificado de Depósito Interbancário):
Acompanha muito de perto a Taxa Selic
Usado em CDBs, LCIs, LCAs
Exemplo: CDB 115% do CDI, LCI 95% do CDI
Taxa Selic:
Taxa básica de juros da economia
Usada principalmente no Tesouro Selic
Se a Selic está em 10,25% ao ano, você ganha próximo disso
Exemplos de investimentos pós-fixados:
Tesouro Selic (LFT)
CDB 120% do CDI
LCI 100% do CDI
Fundos DI
A grande vantagem: Seu investimento acompanha os juros da economia. Se os juros sobem, você ganha mais automaticamente. Além disso, investimentos como Tesouro Selic têm liquidez diária sem perda - perfeitos para reserva de emergência.
A grande desvantagem: Você não sabe exatamente quanto vai receber no futuro. Se os juros caírem muito, sua rentabilidade diminui junto.
Quando usar pós-fixado:
Reserva de emergência (Tesouro Selic ou CDB liquidez diária)
Quando você acredita que os juros vão subir
Quando precisa de liquidez e flexibilidade
Para médio prazo sem certeza do cenário econômico
Exemplo prático: Maria tem sua reserva de emergência de R$ 30.000 no Tesouro Selic. Com a Selic a 10,25% ao ano, ela ganha cerca de R$ 255/mês. Se a Selic subir para 12%, ela automaticamente passa a ganhar R$ 300/mês. Se precisar do dinheiro, resgata em 1 dia útil sem prejuízo.
Renda Fixa Atrelada à Inflação: Protege Seu Poder de Compra
Investimentos atrelados à inflação combinam o melhor dos dois mundos: uma taxa fixa + a variação da inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
Como funciona: Você investe R$ 10.000 no Tesouro IPCA+ 2035 que paga IPCA + 6% ao ano. Se a inflação for 4% ao ano, você ganha 10% (4% + 6%). Se a inflação for 6%, você ganha 12% (6% + 6%). Seu ganho real é sempre 6% acima da inflação.
Fórmula simples: Rentabilidade Total = Inflação (IPCA) + Taxa Real Contratada
Exemplos de investimentos atrelados à inflação:
Tesouro IPCA+ (NTN-B)
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais
CDB IPCA + 7%
LCA IPCA + 5,5%
Debêntures IPCA + 8%
A grande vantagem: Você garante ganho real acima da inflação. Se a inflação disparar, você está protegido. Seu poder de compra cresce de forma previsível. Ideal para objetivos de longo prazo como aposentadoria.
A grande desvantagem: Se você resgatar antes do vencimento, pode ter prejuízo por marcação a mercado. E se a inflação ficar muito baixa, sua rentabilidade total pode ser menor que um prefixado ou pós-fixado.
Quando usar atrelado à inflação:
Objetivos de longo prazo (5+ anos)
Aposentadoria
Quando você quer proteger poder de compra
Quando ofertas de IPCA + 5% ou mais estão disponíveis
Exemplo prático: Roberto, 40 anos, quer se aposentar aos 60. Ele investe R$ 100.000 no Tesouro IPCA+ 2045 que paga IPCA + 6%. Não importa quanto a inflação suba nos próximos 20 anos - Roberto sabe que seu dinheiro vai crescer 6% ao ano ACIMA da inflação, preservando e aumentando seu poder de compra.
Comparação Prática: Qual Rende Mais?
Vamos colocar R$ 50.000 em cada tipo e ver o que acontece em diferentes cenários econômicos:
Cenário 1: Juros Altos e Estáveis (Selic 10%, Inflação 4%)
Prefixado 12% ao ano:
Após 1 ano: R$ 55.100 (descontado IR)
Rentabilidade real: 8% acima da inflação
Pós-fixado 110% do CDI (10,8% ao ano):
Após 1 ano: R$ 54.860
Rentabilidade real: 6,8% acima da inflação
IPCA + 6% (10% ao ano total):
Após 1 ano: R$ 54.250
Rentabilidade real: 6% acima da inflação (garantido)
Vencedor: Prefixado (mas com risco de marcação a mercado)
Cenário 2: Juros Caindo (Selic cai de 10% para 8%, Inflação 3,5%)
Prefixado 12% ao ano (travado na taxa alta):
Após 1 ano: R$ 55.100
Rentabilidade real: 8,5% acima da inflação
Melhor escolha!
Pós-fixado 110% do CDI (agora rende menos):
Após 1 ano: R$ 53.960
Rentabilidade real: 4,5% acima da inflação
IPCA + 6% (9,5% ao ano total):
Após 1 ano: R$ 54.125
Rentabilidade real: 6% acima da inflação (sempre garantido)
Vencedor: Prefixado (você travou no momento certo!)
Cenário 3: Juros Subindo (Selic sobe de 10% para 13%, Inflação 5%)
Prefixado 12% ao ano (travado na taxa baixa):
Após 1 ano: R$ 55.100
Rentabilidade real: 7% acima da inflação
Pós-fixado 110% do CDI (agora rende mais):
Após 1 ano: R$ 56.215
Rentabilidade real: 9% acima da inflação
Melhor escolha!
IPCA + 6% (11% ao ano total):
Após 1 ano: R$ 54.500
Rentabilidade real: 6% acima da inflação
Vencedor: Pós-fixado (você se beneficiou da alta dos juros!)
Conclusão da comparação: Não existe um "melhor" absoluto - depende do cenário econômico e dos seus objetivos!
Marcação a Mercado: O Risco Escondido do Resgate Antecipado
Aqui está um conceito crucial que poucos explicam direito: se você investir em prefixado ou IPCA+ e precisar resgatar antes do vencimento, pode ter prejuízo por causa da marcação a mercado.
Como funciona: Imagine que você investiu em um Tesouro Prefixado 2030 quando a taxa estava em 12% ao ano. Depois, os juros caem para 9% ao ano. Títulos novos agora pagam menos, então seu título antigo (que paga 12%) vale mais no mercado. Se você vender antes de 2030, tem lucro extra.
Mas o contrário também acontece: se os juros sobem para 15%, seu título que paga 12% vale menos no mercado. Se você vender antes do vencimento, tem prejuízo.
Exemplo prático: João investiu R$ 10.000 no Tesouro Prefixado 2028 a 11% ao ano. Um ano depois, precisou resgatar por emergência. Mas nesse meio tempo, os juros subiram para 14%. O título dele agora vale apenas R$ 9.500 no mercado. João teve prejuízo.
Como evitar:
Invista em prefixado/IPCA+ apenas se puder deixar até o vencimento
Use Tesouro Selic ou CDB liquidez diária para reserva de emergência
Nunca coloque dinheiro que pode precisar em títulos longos
Boas notícias:
Tesouro Selic NÃO tem marcação a mercado prejudicial
CDB sem liquidez você não consegue resgatar antes (o que força disciplina)
Se você levar até o vencimento, recebe exatamente o prometido
Como Montar Sua Carteira de Renda Fixa (Estratégia Inteligente)
Não coloque todo seu dinheiro em um único tipo! A carteira ideal combina os três tipos estrategicamente:
Para Reserva de Emergência (30% do patrimônio)
Objetivo: Liquidez imediata e segurança total
Melhor opção:
100% em Tesouro Selic ou CDB liquidez diária 100% do CDI
Nunca use prefixado ou IPCA+ para reserva
Para Objetivos de Médio Prazo - 1 a 5 anos (40% do patrimônio)
Objetivo: Equilíbrio entre rentabilidade e flexibilidade
Distribuição sugerida:
50% em pós-fixados (CDB 110-120% do CDI)
30% em prefixados (se taxa estiver atrativa, acima de 11%)
20% em IPCA+ (proteção contra inflação)
Para Objetivos de Longo Prazo - 5+ anos (30% do patrimônio)
Objetivo: Máximo crescimento e proteção do poder de compra
Distribuição sugerida:
60% em IPCA+ (Tesouro IPCA+ 2035, 2040, 2045)
25% em prefixados longos (se taxa muito atrativa)
15% em pós-fixados (flexibilidade)
Exemplo prático de carteira de R$ 100.000:
Reserva (R$ 30.000):
R$ 30.000 em Tesouro Selic
Médio Prazo (R$ 40.000):
R$ 20.000 em CDB 115% do CDI
R$ 12.000 em Tesouro Prefixado 2028 (12%)
R$ 8.000 em LCI IPCA + 5%
Longo Prazo (R$ 30.000):
R$ 18.000 em Tesouro IPCA+ 2040 (IPCA + 6%)
R$ 7.500 em Debênture IPCA + 7,5%
R$ 4.500 em CDB 120% CDI
Essa diversificação te dá segurança, rentabilidade e proteção contra diferentes cenários econômicos.
Erros Comuns Que Você Precisa Evitar
Mesmo conhecendo os conceitos, muita gente comete erros básicos. Aqui estão os principais:
Erro 1: Achar Que Prefixado é Sempre Melhor Porque "Taxa Parece Alta"
Ver 12% ao ano parece ótimo, mas se a inflação é 6% e a Selic está em 10%, você está ganhando apenas 6% real. Um IPCA + 6% te daria o mesmo ganho real com mais segurança.
Erro 2: Colocar Reserva de Emergência em Prefixado ou IPCA+
"Mas rende mais!" - até você precisar do dinheiro e ter que vender com prejuízo por marcação a mercado. Reserva só em Tesouro Selic ou CDB liquidez diária!
Erro 3: Comparar Rentabilidades Sem Considerar Imposto de Renda
CDB paga IR, LCI/LCA são isentas. Um CDB 120% CDI pode render menos líquido que uma LCA 100% CDI. Sempre compare valores após impostos.
Erro 4: Investir Tudo em Pós-Fixado Quando os Juros Estão Altíssimos
Se a Selic está em 13,75% (como já esteve), pode ser hora de travar parte em prefixado antes que os juros caiam. Você perde oportunidade de ganho.
Erro 5: Não Diversificar Entre os Tipos
Cada tipo tem seu papel. Uma carteira só com prefixado te deixa vulnerável se precisar resgatar antes. Uma carteira só com pós-fixado não protege contra queda de juros.
Erro 6: Ignorar o Prazo de Vencimento
Investir em Tesouro IPCA+ 2055 sendo que você vai precisar do dinheiro em 2030 é pedir para ter problemas com marcação a mercado.
Ferramentas Para Comparar e Decidir
Para facilitar sua vida, use estas ferramentas gratuitas:
Simulador do Tesouro Direto: Site oficial do Tesouro tem simulador que mostra quanto você receberá em cada tipo de título.
Comparador de CDBs: Sites como Yubb, Renda Fixa, TradeMap mostram as melhores ofertas de CDB do mercado.
Calculadora de Renda Fixa: Use calculadoras online para comparar rentabilidade líquida (após IR) entre diferentes investimentos.
Planilha Simples: Crie uma planilha comparando:
Valor investido
Taxa oferecida
Prazo
IR (se aplicável)
Rentabilidade líquida estimada
Tipo (pré, pós ou IPCA+)
Quanto mais você comparar antes de investir, melhores escolhas vai fazer.
Guia Rápido de Decisão: Qual Escolher Agora?
Para facilitar sua vida, aqui vai um guia prático de quando usar cada tipo:
Use PREFIXADO quando:
Taxa está acima de 11-12% ao ano
Você acredita que juros vão cair
Tem objetivo com prazo definido
Pode deixar até o vencimento
Use PÓS-FIXADO quando:
Precisa de liquidez (reserva de emergência)
Você acredita que juros vão subir
Não tem certeza do cenário econômico
Quer flexibilidade
Use IPCA+ quando:
Investimento é para 5+ anos
Quer proteger poder de compra
Ofertas estão IPCA + 5% ou mais
Não vai precisar resgatar antes
Em 2026, com Selic em 10,25%:
Minha recomendação pessoal:
30% Tesouro Selic (reserva)
30% CDB 110-120% CDI (médio prazo)
20% Tesouro IPCA+ 2035/2040 (longo prazo)
20% Mix de prefixados e IPCA+ conforme oportunidades
Mas lembre-se: sua situação é única. Adapte conforme seus objetivos, prazo e tolerância a risco.
Conclusão: Agora Você Domina Renda Fixa!
Depois de tudo que você leu aqui, aqueles termos confusos viraram conceitos claros. Você agora entende que:
Prefixado te dá previsibilidade total mas trava sua taxa
Pós-fixado te dá flexibilidade e acompanha os juros da economia
IPCA+ te protege da inflação e garante ganho real
Não existe um tipo "melhor" - existe o tipo certo para cada objetivo e momento econômico. A carteira inteligente usa os três de forma estratégica.
O mais importante agora é agir. Não adianta ter todo esse conhecimento e deixar o dinheiro parado na poupança rendendo migalhas. Mesmo que você comece com R$ 100, o importante é começar e ir aprendendo na prática.
Que tal revisar seus investimentos atuais e ver se estão alinhados com o que você aprendeu aqui? Ou abrir sua conta no Tesouro Direto e fazer seu primeiro investimento em renda fixa?
O conhecimento está aqui. Agora a ação é com você. Bons investimentos!
Aviso Legal: Este artigo tem caráter exclusivamente educacional e informativo. As informações apresentadas não constituem recomendação de investimento. As taxas e rentabilidades mencionadas são exemplificativas e podem variar conforme condições de mercado. Antes de investir, avalie sua situação financeira, objetivos e tolerância a riscos. Consulte um profissional certificado se necessário. Investimentos em renda fixa envolvem riscos, incluindo risco de crédito e possível perda do capital investido em caso de resgate antecipado de títulos prefixados ou atrelados à inflação. Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros.
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